quarta-feira, agosto 15
Onde me posso inscrever para congelar o meu coração?
É que está feito em pedaços e muito, muito dorido...
É que está feito em pedaços e muito, muito dorido...
domingo, agosto 12
Sorrisos Perfeitos
Sai de casa, já ao fim do dia, para mais uma das minhas solitárias tardes de domingo. Sabia onde me dirigir, para poder chorar à vontade a ouvir música. Não tomei a Avenida, preferi antes ir por dentro da minha cidade, para depois virar directamente para o centro da cidade. Fui andando a pé, sozinha e de lágrimas nos olhos. A música mudou e eu fiquei ligeiramente mais esperançosa, no momento em que estava a tomar o atalho para o centro da cidade. Nesse momento, vi à janela um rapaz a olhar directamente para mim. O irmão dele estava a brincar naquela rua pequenina e ele estava a tomar conta dele. Retribui o olhar e depois voltei a desviá-lo, olhei para o irmão. Continuei a andar e instintivamente voltei a erguer o olhar, para o ver olhar para mim com um sorriso nos olhos cúmplice e apreciador. Corei ligeiramente e continuei a andar. Voltei-me para trás e voltei a ver aqueles olhos a olharem para mim, o sorriso estendido aos cantos da boca. Continuei a andar, virei a esquina e desapareci. Olhei uma última vez para trás, na curva da rua, donde já não podia ver a cara dele, apenas as mãos. Mãos perfeitas.
Continuei a andar, segui o meu rumo ligeiramente mais animada. Os meus passos tomaram outro caminho e dirigi-me ao miradouro da cidade, para poder ver o rio à minha frente. Desci umas escadas e fui para um sítio onde sabia poder estar sozinha, longe de olhares avaliadores. Sentei-me. A música mudou. Comecei a chorar. Primeiro apenas algumas lágrimas, um choro de menina, miudo e doce, depois aos soluços enterrei a cabeça nos braços e deixei-me levar pelo pranto e pela dor. Passado uma música, levantei a cabeça, limpei as lágrimas, levantei-me e fui-me embora.
Segui o mesmo caminho por onde os meus passos me tinham trazido. A meio entroume uma poeira no olho e fiquei muito aflita. Perguntei-me porque tal teria acontecido. Fui até um café e tentei expulsá-la por meio de água sem grande sucesso. Decidi esperar que o olho chorasse a poeira para fora, de modo a evitar arranhá-lo indevidamente. Continuei a andar e ao aproximar-me da ruazinha, senti-me ansiosa. Estaria ele lá? Ao aproximar-me vi alguém sentado na mesma janela, aproimei-me mais, reparei que estava a fumar e a olhar para dentro da sala para ver televisão. O corpo inclinado lateralmente, mais para fora, como se o seu dono não quisesse perder pitada do que se passava na rua. Olhei para o corpo. O corpo de um homem. Ele não me viu, continuei a andar e olhei para ele outra vez. Ele sentiu-me e olhou. Instintivamente ergui a mão e fiz um dos meus melhores sorrisos. Vi o sorriso dele a abrir-se como que puxado pelo meu e a estender-se aos olhos, com cumplicidade e alegria.
Voltei as costas e fui-me embora, o coração aos saltos. Cheguei à avenida e resolvi desce-la desta vez, enquanto ainda tentava curar o meu olho. Dei pulinhos de alegria.
Senti-me bem.
Gosto da minha cidade.
Vou voltar a vê-lo.
Continuei a andar, segui o meu rumo ligeiramente mais animada. Os meus passos tomaram outro caminho e dirigi-me ao miradouro da cidade, para poder ver o rio à minha frente. Desci umas escadas e fui para um sítio onde sabia poder estar sozinha, longe de olhares avaliadores. Sentei-me. A música mudou. Comecei a chorar. Primeiro apenas algumas lágrimas, um choro de menina, miudo e doce, depois aos soluços enterrei a cabeça nos braços e deixei-me levar pelo pranto e pela dor. Passado uma música, levantei a cabeça, limpei as lágrimas, levantei-me e fui-me embora.
Segui o mesmo caminho por onde os meus passos me tinham trazido. A meio entroume uma poeira no olho e fiquei muito aflita. Perguntei-me porque tal teria acontecido. Fui até um café e tentei expulsá-la por meio de água sem grande sucesso. Decidi esperar que o olho chorasse a poeira para fora, de modo a evitar arranhá-lo indevidamente. Continuei a andar e ao aproximar-me da ruazinha, senti-me ansiosa. Estaria ele lá? Ao aproximar-me vi alguém sentado na mesma janela, aproimei-me mais, reparei que estava a fumar e a olhar para dentro da sala para ver televisão. O corpo inclinado lateralmente, mais para fora, como se o seu dono não quisesse perder pitada do que se passava na rua. Olhei para o corpo. O corpo de um homem. Ele não me viu, continuei a andar e olhei para ele outra vez. Ele sentiu-me e olhou. Instintivamente ergui a mão e fiz um dos meus melhores sorrisos. Vi o sorriso dele a abrir-se como que puxado pelo meu e a estender-se aos olhos, com cumplicidade e alegria.
Voltei as costas e fui-me embora, o coração aos saltos. Cheguei à avenida e resolvi desce-la desta vez, enquanto ainda tentava curar o meu olho. Dei pulinhos de alegria.
Senti-me bem.
Gosto da minha cidade.
Vou voltar a vê-lo.