terça-feira, março 7
Rio-me
Rio-me.
Não o riso alegre e profundo de alguém feliz com os acontecimentos, mas o riso irónico e sarcástico de alguém que desafia a vida.
Olho para trás e penso no que aconteceu. Nos momentos que me levaram onde estou agora e na dor causada que se processou. Volto a rir-me. Um riso que desafia as leis pela qual me rejo, um riso que me coloca em confronto com a vida.
A dor outrora sentida, continua a ferir, espetada como uma agulha no coração. As lágrimas derramadas continuam a correr na memória como lembranças amargas do que tivemos que passar.
Penso na forma em como te matei.
Rio-me outra vez.
Cheguei ao cúmulo de me sentir livre. Cheguei ao cúmulo de me arriscar a pensar que era eu outra vez. Atirei-me para um futuro que sabia não existir, usando a sensualidade do vermelho para ser livre outra vez. Cheguei ao cúmulo de pensar que podia ser simplesmente um bloco de gelo outra vez...
Mas não consegui.
Não consegui por saber que a rapariga que custumava morar num sítio onde tu ainda não existias, não era mais a mulher que se vestia de vermelho agora.
Não te consegui esquecer nos braços de outrém. Não consegui levar a dança sensual para a cama. Se me senti eu outra vez, enquanto vibrava e entrava em êxtase com o que antes me regojizava, senti também que estupidamente não era aquilo que queria.
Eu não queria aquela morte sorrateira de palavras sussuradas e calculadas e de lençois de cetim.
Eu queria morrer nos teus braços mais uma vez, queria morrer afogada na paixão e na dor do prazer que me causavas e no amor irracional que nutriamos um pelo outro.
Precisava de morrer, nesta morte lenta e agonizante, consumida pelo fogo da paixão avassaladora, que não deixa a mulher de vermelho cair nos lençois de cetim.
Mas não quero morrer.
Não quero morrer desta maneira outra vez. Não quero voltar a sentir que o Mundo não gira, afoagada nos lençois de algodão a chorar a tua perda, a chorar pelo que foi, mas principalmente a chorar pelo que não pode voltar a ser.
Quantas vezes mais me vais matar e ressuscitar até compreenderes que mais uma agulha e o meu coração morre?
Os nossos passos não podem voltar a ser tijolos num muro à volta de nós e as nossas palavras não podem voltar a ser passos para longe de nós.
Rio-me.
Rio-me quando me falas com desespero e paixão e rio-me porque revejo em ti a minha imagem. Rio-me quando me pedes para ser tua outra vez e rio-me por saber que nunca tive a capacidade de ser de outrém. Rio-me quando dizes que não me consegues esquecer e rio-me porque sei que não tens a capacidade de deixares de me pertencer. Rio-me quando me pedes para tentar mais uma vez e rio-me porque oiço o eco das minhas palavras na tuas. Oiço os teus argumentos, oiço as tuas súplicas, a maneira como imploras e revejo o momento em que te pedi por tudo para não me matares outra vez, até que depois da facada me tornei de gelo. Pensava eu que outra vez.
Mas não consegui. Por isso rio-me. Rio-me da ironia da vida, que trouxe os meus passos de volta para aqui.
Uma a uma, todas as promessas foram sendo quebradas. Quebrei todos os limites por amor que sentia por ti, enquanto assistia impávida a que quebrasses todos os limites por mim. Promessas idênticas. Sussurradas e confessadas ao ouvido um do outro, levam eco na vida que vivemos, enquando fazemos amor e as quebramos sem hesitar.
Todos os momentos importam.
Agora bebemos da paixão um do outro, todos os momentos, todos os minutos, todos os segundos, todos os bocadinhos que passamos um com o outro, são vividos com a intensidade máxima dos amantes desesperados.
As saudades invadem-nos todos os dias, a ânsia da carne acorda-nos a cada abraço, a fome do sabor de cada beijo é uma constante na nossa vida.
Cada dia só é bom quando passado contigo, cada noite só vale a pena quando estás lá, cada momento passado nos prazeres da carne é vivido em êxtase.
A vida passa à nossa volta, sem que isso impeça o objectivo máximo: os momentos passados juntos.
O amor cresce. Outra vez.
Assusto-me e penso em fugir antes que seja tarde de mais, antes de voltar a morrer.
Mas cada vez que corro, corro de volta a ti e aos teus braços. O único sítio onde me sinto bem e completa, por isso fico e corro contigo. Para longe da futilidade da vida e para dentro da profundidade do nosso amor.
No entanto, sei que mais tarde ou mais cedo vou voltar a morrer.
Por isso construo um escudo ao lado do coração, pronto a ser erguido quando voltares, de lâmina em punho, para me espetares outra agulha no coração.
Desta vez vou estar preparada para a queda. A derradeira queda, vinda do alto do céu onde voamos os dois juntos na volupia da paixão.
Não.
Não quero que aconteça.
Não quero perder-me para ti ou permitir que saias da minha vida.
Preciso de me alimentar e de te alimentar. Por isso fico, pegando na tua cabeça e encostando-a ao meu peito qual mãe acarinhando o filho. Descansa... Eu cuido de ti. Dizes que sou a tua menina, mas não te podes esquecer... Nunca te podes esquecer... Que debaixo está uma mulher. Uma mulher curvílinea de lábios vermelhos e olhos de falcão, que tanto te podem seduzir como aquecer-te para sempre.
Rio-me.
A vida é tão irónica.
Não o riso alegre e profundo de alguém feliz com os acontecimentos, mas o riso irónico e sarcástico de alguém que desafia a vida.
Olho para trás e penso no que aconteceu. Nos momentos que me levaram onde estou agora e na dor causada que se processou. Volto a rir-me. Um riso que desafia as leis pela qual me rejo, um riso que me coloca em confronto com a vida.
A dor outrora sentida, continua a ferir, espetada como uma agulha no coração. As lágrimas derramadas continuam a correr na memória como lembranças amargas do que tivemos que passar.
Penso na forma em como te matei.
Rio-me outra vez.
Cheguei ao cúmulo de me sentir livre. Cheguei ao cúmulo de me arriscar a pensar que era eu outra vez. Atirei-me para um futuro que sabia não existir, usando a sensualidade do vermelho para ser livre outra vez. Cheguei ao cúmulo de pensar que podia ser simplesmente um bloco de gelo outra vez...
Mas não consegui.
Não consegui por saber que a rapariga que custumava morar num sítio onde tu ainda não existias, não era mais a mulher que se vestia de vermelho agora.
Não te consegui esquecer nos braços de outrém. Não consegui levar a dança sensual para a cama. Se me senti eu outra vez, enquanto vibrava e entrava em êxtase com o que antes me regojizava, senti também que estupidamente não era aquilo que queria.
Eu não queria aquela morte sorrateira de palavras sussuradas e calculadas e de lençois de cetim.
Eu queria morrer nos teus braços mais uma vez, queria morrer afogada na paixão e na dor do prazer que me causavas e no amor irracional que nutriamos um pelo outro.
Precisava de morrer, nesta morte lenta e agonizante, consumida pelo fogo da paixão avassaladora, que não deixa a mulher de vermelho cair nos lençois de cetim.
Mas não quero morrer.
Não quero morrer desta maneira outra vez. Não quero voltar a sentir que o Mundo não gira, afoagada nos lençois de algodão a chorar a tua perda, a chorar pelo que foi, mas principalmente a chorar pelo que não pode voltar a ser.
Quantas vezes mais me vais matar e ressuscitar até compreenderes que mais uma agulha e o meu coração morre?
Os nossos passos não podem voltar a ser tijolos num muro à volta de nós e as nossas palavras não podem voltar a ser passos para longe de nós.
Rio-me.
Rio-me quando me falas com desespero e paixão e rio-me porque revejo em ti a minha imagem. Rio-me quando me pedes para ser tua outra vez e rio-me por saber que nunca tive a capacidade de ser de outrém. Rio-me quando dizes que não me consegues esquecer e rio-me porque sei que não tens a capacidade de deixares de me pertencer. Rio-me quando me pedes para tentar mais uma vez e rio-me porque oiço o eco das minhas palavras na tuas. Oiço os teus argumentos, oiço as tuas súplicas, a maneira como imploras e revejo o momento em que te pedi por tudo para não me matares outra vez, até que depois da facada me tornei de gelo. Pensava eu que outra vez.
Mas não consegui. Por isso rio-me. Rio-me da ironia da vida, que trouxe os meus passos de volta para aqui.
Uma a uma, todas as promessas foram sendo quebradas. Quebrei todos os limites por amor que sentia por ti, enquanto assistia impávida a que quebrasses todos os limites por mim. Promessas idênticas. Sussurradas e confessadas ao ouvido um do outro, levam eco na vida que vivemos, enquando fazemos amor e as quebramos sem hesitar.
Todos os momentos importam.
Agora bebemos da paixão um do outro, todos os momentos, todos os minutos, todos os segundos, todos os bocadinhos que passamos um com o outro, são vividos com a intensidade máxima dos amantes desesperados.
As saudades invadem-nos todos os dias, a ânsia da carne acorda-nos a cada abraço, a fome do sabor de cada beijo é uma constante na nossa vida.
Cada dia só é bom quando passado contigo, cada noite só vale a pena quando estás lá, cada momento passado nos prazeres da carne é vivido em êxtase.
A vida passa à nossa volta, sem que isso impeça o objectivo máximo: os momentos passados juntos.
O amor cresce. Outra vez.
Assusto-me e penso em fugir antes que seja tarde de mais, antes de voltar a morrer.
Mas cada vez que corro, corro de volta a ti e aos teus braços. O único sítio onde me sinto bem e completa, por isso fico e corro contigo. Para longe da futilidade da vida e para dentro da profundidade do nosso amor.
No entanto, sei que mais tarde ou mais cedo vou voltar a morrer.
Por isso construo um escudo ao lado do coração, pronto a ser erguido quando voltares, de lâmina em punho, para me espetares outra agulha no coração.
Desta vez vou estar preparada para a queda. A derradeira queda, vinda do alto do céu onde voamos os dois juntos na volupia da paixão.
Não.
Não quero que aconteça.
Não quero perder-me para ti ou permitir que saias da minha vida.
Preciso de me alimentar e de te alimentar. Por isso fico, pegando na tua cabeça e encostando-a ao meu peito qual mãe acarinhando o filho. Descansa... Eu cuido de ti. Dizes que sou a tua menina, mas não te podes esquecer... Nunca te podes esquecer... Que debaixo está uma mulher. Uma mulher curvílinea de lábios vermelhos e olhos de falcão, que tanto te podem seduzir como aquecer-te para sempre.
Rio-me.
A vida é tão irónica.