sexta-feira, dezembro 8

Muda de Vida

Assim é melhor.
Eu gosto de emoção nas coisas que se fazem. Gosto de extremos.
Não gosto de meios termos. Ou é ou não é.
E para deixar de ser então que o deixe de ser realmente.
Terminar uma relação com amizade resultou sempre no reatar dessa relação.
Desta vez é ainda mais diferente.
Desta vez seria absolutamente inaceitável considerar tal hipótese, por isso desta vez é definitivo.
Para esquecer preciso de raiva. Depois de raiva preciso de indiferença. E depois de indiferença preciso de continuar a minha vida.
Neste momento eu tenho o motivo.
Tenho o motivo para a esquecer.
Sou uma pecadora inocente, que se sente em paz com os seus pecados.
E mais... Sou uma pecadora inocente vítima finalmente feliz com um motivo verdadeiro para se libertar.
Quero liberdade, quero fúria, quero sensualidade, quero soltar amarras, quero ser eu.
Quero arrasar, quero ser indiferente, quero ser irónica, quero esquecer, quero ser eu.
Quero ironia.
Quero uma vida nova.
Quero sentir-me eu outra vez.
Como daquela vez, quero esse prazer.
Quero dizer assim: "estou-me a cagar para um gajo que não me sabe dar um beijo no pescoço que me dê prazer, que me está sempre a provocar e não dança comigo e que tem muito a aprender na cama".
E quero ficar indiferente.
Estilo "Sexo e a Cidade".
Eu nunca fui de desistir. Não consigo! Por isso é que resisti tanto tempo.
Mesmo quando estive quase a comer o bonzão do amigo continuei a não desistir e quando ia aos cafés com aquela montanha que simplesmente é feita para escalar e me deleitava com as dicas subtéis, infrigi várias vezes a regra número um: "acabar com um relacionamento em que se deseja um diferente."
Sempre achei que não devia ligar. É passageiro, além de que deve ser normal desejar outros homens.
E aí errei.
E errei porquê?
Porque simplesmente não consigo imaginar uma realidade em que não o podesse abraçar não podesse estar com ele, não podesse ser a menina dele.
Mas devia ter desistido.
Devia ter desistido porque apesar de ser aquele que eu queria mesmo, não me dava tudo o que eu queria mesmo.
E não está certo.
Não está certo eu mesmo agora achar que ele continua a ser aquele e que não quero outra coisa senão poder ser a menina dela e que já agora espanco qualquer gaja que se aproximar dele.
E não está certo achar isto, quando sei ao mesmo tempo que preciso de mais. Preciso de viver mais. Preciso de conhecer mais. Preciso que me dêem mais. Preciso da outra realidade que tenho vindo a imaginar ao longo deste tempo, em que ele não passa de um espectador.
Agora não preciso de me preocupar com tomar a decisão de o deixar por achar que preciso de mais para depois me arrepender por chegar à conclusão de que tudo o que precisava era dele. E não preciso de me preocupar porque foi ele quem fez isso e é ele quem se vai arrepender.
E eu agora estou-me a cagar.
Quero escalar as tais montanhas que são feitas para escalar e esquecer o resto.
Quero viver a vida que desejo.
Quero esquecer isto, quero esquecer esta relação, quero ficar indiferente.
E não tenho medo.
Eu sei que consigo.
E já não tenho medo porque não sou eu quem tem que lidar com as consequências. É ele.
Eu vou mudar de vida.

Comments:
Sabes, às vezes por mais que podemos sentir que merecemos, nós têmo-lo (talvez não da maneira que idealizamos, mas têmo-lo). A dificuldade está em reconhecer que o temos, que existe, que não é pura ilusão e que é NOSSO.
Olho para ti e comparo-te com aquela menina que em tempos conheci no CCF. Admirava-te, e hoje, mais do que em qualquer altura remota, admiro-te mais. Não só porque tu não desistes (porque, lá está, não é do teu carácter) como crescente de uma maneira que sei que a maioria das pessoas não o era capaz de fazer.
És tu. Com ou sem ele. Com ou sem qualquer outra pessoa, és tu. E isso, acredit, (FELIZMENTE) não muda.

tixa
 
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